maior
número de mortes
por acidente.
Embora os jovens liderem as estatísticas de acidentes
de trânsito, a mortalidade entre os idosos é maior, pois
esses têm o organismo mais debilitado, com maior dificuldade
para se recuperar, explica Susana Penna. Apenas em São
Paulo, em 1999, na população com idade entre 66 e 77
anos, houve 15,6 mortes para 100 mil habitantes. Na faixa
entre 71 e 75, esse número subiu para 24,3 e, acima dos
75 anos, para 45,6.
Para o idoso, dirigir é manter sua
autonomia e sua independência, principalmente em um país
no qual os meios de transporte coletivo não são adequados. “Deixar
o carro de lado representa uma limitação dolorosa; sua
vida social fica prejudicada e sua auto-estima cai”,
afirma José Montal, vice-presidente da Associação Brasileira
de Medicina de Tráfego (Abramet). Atualmente, de acordo
com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), há no
País 4,5 milhões de motoristas habilitados com idade
entre 56 e 99 anos, 12,85% do total de 35 milhões.
Embora
o idoso seja mais prudente, ele deve evitar trechos que
não domina e não
correr muito, pois a perda de cognição (capacidade de decisão, de associar informações),
a hipertensão e os problemas na visão, nas articulações e na musculatura podem
fazer com que ele tenha de reduzir o uso do carro ou até deixar de dirigir. De
acordo com dados da Abramet, por exemplo, na pessoa com idade entre 70 e 80 anos
a flexão no joelho é de 58%, quando nos mais jovens (de 20 a 35 anos) chega a
78%. Além disso, os remédios que o idoso toma podem prejudicar seus reflexos,
aumentando o risco de acidentes. Por esses motivos, a partir dos 65 anos, segundo
o Código Brasileiro de Trânsito, o motorista deve fazer o exame de saúde para
renovar a carteira de habilitação a cada três anos - até essa idade, o prazo é de
cinco anos.
Segundo a Abramet, a maior parte dos acidentes envolvendo idosos acontece
em
situações em que é preciso tomar decisões, como fazer uma conversão à esquerda,
mudar de faixa, notar o sinal vermelho. Para decidir se é hora ou não de parar,
o ideal é que o idoso e sua família procurem um médico para que ele avalie as
condições de saúde do motorista. Doenças degenerativas do sistema nervoso central,
como o Mal de Parkinson e de Alzheimer, impedem o idoso de dirigir. “Muitas vezes
a alternativa encontrada é reduzir as saídas do idoso, fazer com que ele adote
apenas trajetos conhecidos, para não ter que o afastar totalmente do carro”,
afirma Montal. |